Opinião

Uma visita desejada

Editorial

Ao iniciar, ontem, uma visita de trabalho, de dois dias, à província do Bengo, o Presidente da República, João Lourenço, além de constatar “in situ” o desenvolvimento dos grandes projectos de desenvolvimento do sector agrário e a evolução das obras integradas da cidade de Caxito, leva à então 1ª Região Político-Militar uma mensagem de reconhecimento aos sacrifícios consentidos pelas populações locais durante a luta contra o colonialismo.

11/06/2021  Última atualização 05H55
Trata-se, na verdade, de uma visita esperada e desejada, que se realiza poucos dias depois de um gesto de reconciliação de grande alcance histórico: a entrega da certidão de óbito à família de Nito Alves, um dos rostos mais marcantes das vítimas do 27 de Maio de 1977 e, também, um dos mais notáveis comandantes da 1ª Região Político-Militar durante a luta pela Independência Nacional, que levou 14 longos anos.
Uma visita esperada e desejada que serviu, também, para o Titular do Poder Executivo constatar o que tem sido bem feito e o que precisa de ser rapidamente melhorado. O Presidente da República, à partida, não gostou nada da forma como têm sido aplicadas as multas por crimes ambientais. Não pode ser Luanda a conduzir todo o processo. É preciso actualizar a lei que assim o determina, porque lesiva aos interesses locais, no quadro do processo de descentralização em curso no país. Não se pode ficar pelos ditames da lei, principlamente quando se sabe que as regras estão erradas e atiram para as calendas gregas os interesses  das populações locais.

 As obras integradas da cidade de Caxito, na capital da antiga 1ª Região Político-Militar, conheceu avanços significativos  e está a retirar ao casco urbano o aspecto de aldeia. O casco mais urbano da cidade de Caxito começa a tomar  nova imagem, com estradas asfaltadas e equipamentos de iluminação pública e de saneamento básico. O Presidente João Lourenço visitou as obras e hoje, último dia da visita, deverá, seguramente, fazer um balanço do que viu na província do Bengo em tempos de pandemia.

Entretanto, é ponto assente que no sector da Saúde entrou em funcionamento o Centro de Distribuição de Gases Hospitalares e foi reactivado o Centro Provincial de Sangue. O Bengo, que em 2018 tinha 16.732 crianças fora da escola, hoje reduziu este número para três mil, fruto do aumento de salas de aula. Podem não ser ainda suficientes para que não hajam crianças fora do sistema de ensino, mas os 25 projectos em execução, no quadro do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), vão ajudar a reduzir esses  números e levar mais crianças à escola.

A visita esperada e desejada ao Bengo serviu, também, para  o Presidente constatar que o sector agrícola privado tem tido avanços, com a Agrolíder a dar cartas na produção de horto-frutícolas.  A agricultura familiar é outra área que dá passos no processo de auto-suficiência alimentar, necessitando, no entanto, de boas estradas para o escoamento da produção do campo para os grandes centros de consumo.

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