Entrevista

Vanda Pedro: "Hoje as pessoas valorizam pouco o teatro"

Matadi Makola e Analtino Santos

A actriz Vanda Pedro ficou conhecida do grande público pela participação no programa televisivo “Conversas no Quintal”, no qual interpreta a personagem Luena, por quem é reconhecida até hoje. Na comemoração dos 25 anos de carreira, assinalados no ano passado, Vanda programa lançar, brevemente, a sua obra didáctica intitulada “Guia Prático para Iniciantes de Teatro”. Com passagens pelas companhias Gruta e Miragens, nesta entrevista Vanda nega que o teatro angolano seja “gritaria” e de “paupérrima qualidade”

29/05/2021  Última atualização 09H00
© Fotografia por: DR
Vanda Pedro está a comemorar 25 anos de carreira. Como olha para o início desta vida, de mais de duas décadas dedicadas ao teatro?
Para já, era normal, na nossa época, nos idos anos 1990, as crianças terem contacto directo com as artes, porque no processo de recriação escolar estava contemplado o teatro, embora não fosse uma disciplina curricular. Tínhamos Educação Física e Artes Cénicas. Nós ensaiávamos quase um ano para apresentar peças em datas comemorativas, como o 1 de Junho, Dia Internacional da Criança. Foi por essa via que a representação nas escolas se tornou hábito.
Estamos a falar de que escola?
Nessa altura, eu estava na Escola 83, em Cacuaco, e o teatro servia para deixar as crianças mais soltas, vencer o bullying e outros receios da idade infantil. Mas eu era aquela que despontava, tanto que o encenador me convidou a integrar um grupo que ele dirigia fora da escola, o Gruta. Nessa época, eu ensaiava duas vezes, no grupo da escola e na companhia Gruta.
Sempre em Cacuaco?
Foi mesmo aí que eu comecei e fui despontando com o passar do tempo. O grupo já fazia apresentações no Teatro Avenida. Era uma fase em que os municípios todos tinham um grupo de referência e todos se cruzavam no Teatro Avenida, onde era feita a escala. Mas o destaque recaía sempre para os grupos do centro da cidade, como Miragens, Julu, Horizonte Njinga Mbande. Nós, que não morávamos no centro da cidade, aproveitávamos quando houvesse uma agenda mais aberta, que permitisse o intercâmbio.
Parece que imperava uma certa assimetria entre os municípios de Luanda e Cacuaco. Sendo de Cacuaco, viu-se prejudicada?
Sim! Cacuaco sempre foi esquecido, em termos de desenvolvimento. Quando se vai a Viana, fica claro como houve um crescimento muito grande. Mas Cacuaco não! Quem foi nos anos 1990 e quem vai agora, ainda continua quase tudo igual. Não cresce, não se desenvolve, só regride. Um exemplo claro são as Festas de Cacuaco, que eram um marco apreciado por pessoas que vinham de vários pontos da cidade. Um outro exemplo eram as salinas, que serviam de ponto turístico para muitos luandenses, inclusive estudantes. Mas já não existem, foram engolidas pelo mar. Cacuaco está parado.
Mas sempre ligada, e afectivamente, a esta parte de Luanda…
É o meu Cacuaco, até hoje. Foi lá onde eu cresci e me fiz mulher. Eu me posiciono sempre como uma mulher que vem de Cacuaco para o centro da cidade. Tenho Cacuaco no meu coração. Eu só me mudei de Cacuaco no ano passado, porque a minha filha estudava aqui no centro da cidade. Eu costumo dizer que se um dia eu cair em Cacuaco, todos saberão levar-me para a casa dos meus pais. Porque os municípios muito pequenos valorizam muito as pessoas que conseguem despontar e lhes representar. Por exemplo, o nome oficial da minha rua é Rua dos Pescadores, mas por eu viver lá todos chamam por "Rua da Luena”.
É um pouco pela força do Conversas no Quintal?
Para os angolanos que viviam no exterior e não tinham contacto nenhum connosco, foi um programa que lhes permitiu a ligação com os costumes típicos de uma família angolana do tempo actual. O "Conversas no Quintal" foi um dos primeiros programas que foi para a RTP África. Penso que foi um dos programas que o angolano conseguiu ter como nosso, se identificando. Isso é reflexo de que realmente há ficção em Angola. Não apenas em Cacuaco, mas todos passaram a me conhecer como Luena.
Continua a ser a eterna Luena do Conversas no Quintal, passado tanto tempo?
Por mais que eu desenvolva outras personagens em diferentes trabalhos, acho que ser a Luena é um karma que eu vou carregar para sempre. O Conversas no Quintal marca as pessoas, porque é de uma época que não tínhamos muitos, e me parece que o ser humano valoriza muito mais quando tem pouco. Quando há muitas opções, acho que as pessoas não conseguem visualizar e perceber o essencial de muitas coisas. O Conversas no Quintal foi aquela lufada de ar fresco. Saiu bem no princípio dos anos 2000 e fazia sorrir todos os angolanos. As pessoas esperavam expectantes todos os domingos, reunidos em família, para assistir a cada edição. Depois daquela guerra e de outros problemas, veio um programa que era só alegria, sem problemas e sem querer saber de nada. É um programa pelo qual o povo angolano tem muito carinho. Por mostrar uma família como qualquer outra família angolana, com os filhos que dão trabalho, o marido que não pára, o vizinho muito chegado, a amante que era secretária…No fundo, uma família muito real…Sim (risos!). Era tão autêntico, que muitas pessoas pensavam que nós éramos mesmo uma família, tal como era no programa. Muita gente pensava que a casa da família do Conversas no Quintal ficava na Maianga. As pessoas pensavam que era mesmo uma família. Porque nós representávamos realmente bem, e tudo porque foi um elenco todo composto por actores que vinham do teatro, com uma certa experiência em representação.
Mas fez a formação em Comunicação Social, não?
Sim! Foi um escape para fazer o que eu amava. Se na altura já houvesse escolas de arte, tanto média como superior, eu teria feito. Não sei se o meu pai teria deixado. Eu e o meu pai chegamos a um acordo, porque ele jamais quis que eu fosse actriz. Igualmente, penso sobre a minha filha, rezo para que ela não siga o mesmo caminho.
Porquê?
Porque hoje eu compreendo um pouco mais o receio do meu pai. Vivemos num país muito inconstante no que toca ao mercado artístico. Mesmo quando escolhi fazer Jornalismo, ele abertamente manifestou o seu descontentamento. Claro que ele apenas tomava essa posição porque a imagem que se tinha dos jornalistas era de que eram profissionais que bebiam muito e aferiam um salário que não dá para nada. No fundo, sabem que são profissionais que estão ai, mais por gosto pela profissão. Hoje, a imagem do jornalista já melhorou bastante. Mas por mais que se queira fazer bem, se não houver condições, o profissional passa sempre por um mendigo. Os músicos ganham dinheiro, os artistas plásticos idem, mas nós, que fazemos teatro, passamos por pedintes. Só para vermos, nem uma sala em condições nós temos. Trabalhamos em espaços adaptados. Por exemplo, para levar um espectáculo ao Royal Plaza, que é uma das salas com melhor acústica, a despesa da sala ronda os quatrocentos mil kwanzas.
Só para a sala?
Sim, somente. Depois, é preciso pagar a luz e o som. Se o bilhete custar dois mil kwanzas, como é que a produção vai conseguir pagar os actores? É complicado. Vais querer um CCB, que tem muito mais lugares, suficientes para render 12 a 13 milhões, mas o valor da sala pode ultrapassar os dois milhões. E se não meterem uma boa publicidade? Se não meteres um famoso misturado com o actor? Se não encher?
Colocar um famoso ajuda?
Sim. Porque ele tem o seu público. Tem pessoas que virão para ver o Gilmário, o Calado Show, uma Vanda Pedro, uma Edusa Chindecasse, que, misturada com o elenco do teatro, vai ajudar a trazer um público fiel àquela figura pública para as salas de teatro. Sem essas tácticas, uma produção não consegue encher a sala. É muito complicado. Com uma sala pública, seria tudo diferente. Os grupos poderiam usá-la de forma rotativa, para, pelo menos, uma vez por mês, cada poder apresentar o seu espectáculo. 
Essa visão resulta da sua experiência como produtora?
Sim. Eu já não sou apologista, e isso comungo com a minha amiga Edusa Chindecasse, de estarmos ligadas a um grupo. Porque o teatro consome muito, exige tempo para ensaiar todos os dias. E não é justo, para nós, que temos outros projectos paralelos, ensaiar apenas uma vez por semana e depois merecer um personagem. É preciso tempo para estar num grupo.
Então, hoje é uma artista independente?
Sim e vamos fazendo os nossos projectos. Eu e a Edusa estamos juntas e há momentos em que fazemos trabalhos juntas. Por exemplo, agora, a acompanhar o lançamento do meu livro, voltaremos a exibir o espectáculo "As Vedetas”, estreado em 2015. Fazer a produção é mesmo trabalhoso, desde a concepção do espectáculo ao marketing na venda de bilhetes. É muito trabalho, ainda mais em tempo de pandemia, com as regras a ditarem que as salas devem estar apenas cheias até 50 por cento.
Edusa e Vanda, uma dupla e tanto…
É uma longa amizade e uma colaboração profissional que funciona. Estamos juntas desde o tempo do Conversas no Quintal, onde ela interpretava a Maristela, a secretária do Moisés Adão, personagem interpretada por Orlando Sérgio. Voltámos a estar juntinhas em 2012, na rodagem da novela Windeck, em Portugal. Ficámos quase um ano no mesmo hotel, o que permitiu estreitar mais ainda os laços. Temos a mesma forma de pensar e a mesma visão sobre a sociedade actual. Ambas viemos do teatro, eu no Miragens e ela no Horizonte Njinga Mbande. A nossa educação artística é diferente.
Ambas conseguiram singrar no espaço público. Sentem-se confortáveis?
A nossa fama é consequência do nosso trabalho, quando em muitos casos, na nossa sociedade, o trabalho tem sido consequência da fama. Porque hoje as redes sociais têm uma força tão grande, que, do dia para a noite, coloca pessoas famosas que depois não têm capacidade de suportar a fama. Muitos desses famosos repentinos procuram formas menos dignas de tentar sustentar a fama, até com boatos e coisas inusitadas. Nós viemos de uma escola em que só queríamos trabalhar; fazer arte é mesmo o nosso ofício. Se não estivermos a fazer nada, ficamos mesmo caladas, no nosso canto. Aparecer por aparecer não é o nosso foco. Porque depois a pessoa também não tem como sustentar isso.
Mas essas produções, levadas em salas como o Royal Plaza, tanto na temática como no valor dos ingressos, parecem destinadas a um público mais elitizado?  
Eu tenho um trauma. Alguém muito famoso que organiza espectáculo, que eu não vou dizer o nome, uma vez olhou para nós e disse que fazemos teatro para o povo. Que tínhamos de fazer um teatro mais elitizado. Alguém tem de sentar na cadeira e mostrar que o teatro também é rentável. Traumatizou-me no sentido de mostrar que o teatro é do povo, mas no gueto ou na cidade a sua função primordial é a mudança de consciência. Por exemplo, uma vez, o espectáculo terminou e o representante máximo do nosso ministério de tutela simplesmente se levantou e se retirou da sala, quando outras figuras, entre elas uma outra ministra, nesse caso Ângela Bragança, esperou para aplaudir de pé, juntamente com toda a plateia. Depois, ainda teve a amabilidade de ir dar-nos um aperto de mão e umas palavras de incentivo. Isso para dizer que mudar a consciência e levar o teatro para elite, onde estão todas as esferas sociais, e quem sabe essas pessoas consigam ver e fazer perceber a carência de uma sala. Porque a sala da LAASP não tem mesmo qualidade.
Está a passar a ideia de que o que se precisa é um espaço para um teatro elitizado?
Penso que não. Porque nós queremos mesmo trabalhar. Porque essas figuras nunca irão numa outra sala que lhe ofereça menos conforto. Num Roseira, em Cacuaco, ninguém faz a mínima ideia do que está a acontecer lá. Por outro lado, quem foi assistir à peça no Centro de Conferências de Belas não foi só a elite, mas também pessoas singulares e a massa estudantil. Mas a ideia é perceber que se pode fazer teatro de qualidade. E isso se faz conversando, chamar a classe e conversar. O espaço Elinga Teatro não oferece condições. A LAASP é igual. No Horizonte, por exemplo, o Adelino remodelou um anfiteatro que se adapta como sala. Então, é importante ver que não temos salas para teatro. Em Angola, não temos. À excepção da Maria João, Casa das Artes de Talatona, mas é privada. Está apetrechada.

"Pensam que tenho problemas com os músicos…”
Voltou a frisar a música. Tem ciúmes da atenção que é dada aos músicos?
As pessoas pensam que eu tenho problemas com os músicos. Mas não! Antigamente, no tempo da guerra civil, é o teatro que era usado para lutar contra a desminagem e desarmamento da população. Eu fiz teatro comunitário, aliás, o teatro era só comunitário. Nós nunca caminhamos sem música e dança. Recordo-me de ter ido ao Bié para actuar e na caravana havia músicos e bailarinos e o teatro foi. Porque não havia uma outra arte que chegasse mais perto da população do que o teatro. Até nas eleições, o teatro estava sempre presente. Hoje, a música toma quase todo o espaço. O artista sobe, canta duas ou três músicas, o público bebe algumas cervejas e está tudo feito. O teatro era a arma de consciência. Hoje, as pessoas não valorizam. É muito complicado dizer isso, porque as pessoas acham que estamos a nos vitimizar. Mas não é isso. Enquanto não formos incisivos nesse ponto, entrará e sairá ministro, mas o Teatro Avenida não acaba e ninguém fala disso.
Como assim? O que tem isso a ver com o Teatro Avenida?
Na altura do Boaventura Cardoso, quando se deu a demolição do Teatro Avenida, foi-nos informado que o projecto estava financiado do princípio ao fim. Boaventura Cardoso, na minha opinião, um ministro que se integrava na classe, talvez pelo facto de ser artista, tinha sensibilidade. Já tivemos a visita do ministro em ensaios de grupos de teatro. De repente, estava no Nelito Soares, para assistir ao ensaio do grupo, tão simples assim. Chegava no seu carro, sem escolta, entrava e sentava. E depois, interagia connosco, baixando ao nosso nível. Recordo que ele chegou a sentar com a classe para mostrar o projecto do que viria a ser o Teatro Avenida, antes de ser demolido. Antes da demolição, o Miragens foi o último grupo a actuar no Teatro Avenida. Não chorámos, porque tínhamos esperança de que viria algo melhor. O ministro Boaventura chamou-nos, teve a amabilidade de explicar detalhadamente o que viria a ser o projecto. A obra parou e até hoje ninguém diz absolutamente nada. Ninguém diz nada. Muitos prédios circundantes não existiam e hoje estão aí. Tudo acabou. Até aí na Marginal já demoliram e fizeram nascer hotéis.
Há alguns anos, chegou a criar polémica, uma sua crítica, sobre a música ser "filho” e o teatro ser "enteado”…
Já passou. A então ministra  da Cultura (Carolina Cerqueira) chegou a chamar-me e acabamos por sentar. Naturalmente, as redes sociais inflamaram a situação. Mas tudo se esclareceu. Ela fez questão de me chamar para ouvir de mim as minhas inquietações.
Muitos bons actores "fugiram” para a banca…
Sim, grandes actores, de peças memoráveis da nossa memória recente, hoje simplesmente se ocupam apenas com empregos na banca. Porque não é vontade nossa estar a fazer jornalismo ou empresariado. As panelas não podem apagar.  
Dali teres optado pelo empresariado?
Eu não gostaria de ter os dois salões de cabeleireiro, porque gerir pessoas é muito difícil. É pomposo falar em ser líder, mas gerir trinta pessoas, cada uma com a sua forma de ser, não é fácil. Eu adoraria acordar e respirar teatro. Mas não dá. A minha filha tem de comer, tenho de pagar casa, água, energia. E durante a pandemia passamos por momentos difíceis e muitos só se mantêm de pé por orgulho. A nossa arte é das mais lesadas. Eu estava para actuar agora, no dia 30 de Maio, mas tive de adiar de novo. Igualmente com o lançamento do livro, que está sem data, porque, mais uma vez, tivemos que adiar. Nós temos mesmo de procurar algo para comer, e digo "nós”, que conseguimos manter outras formas de rendimento, porque há outros que só vivem do teatro e a situação é mesmo dramática. 
Por exemplo, a peça "Elas Não Precisam de Homem” rendeu alguma coisa?
Rendeu. Ninguém precisa de mentir nos números, senão teríamos parado já. Há sim lucro no teatro, com peças bem feitas. Infelizmente, não é constante. Eu estreei "As Vedetas” em 2015, voltei a estrear "A Última Tesão da Viúva”, em 2016, e depois voltei a subir em palco em 2018, com "Parlamento de Idiotas”, com participação de Gilmário e Calado Show, para voltar a subir em palco em 2020, com "Elas Não Precisam de Homens”, com elenco formado por Lesliana Pereira, Carina Barbosa, Neyde Van-Dúnem, Henesse Cacoma, Edusa e eu, sob a direcção de Flávio Ferrão. Os meus colegas criticam-me porque acham que estou a desenvolver um teatro que chamam "comercial”, virado para a elite. Mas eu não posso pagar uma sala de quatrocentos mil ou de três milhões e não ter retorno. Não quero dizer que com o pessoal do chamado "teatro tradicional” não seja possível. Mas a produção pega numa Karina Barbosa ou uma Lesliana Pereira porque suscita a curiosidade de pessoas que a querem ver em palco. É comercial, porque a minha intenção é lotar, para todo mundo sair a rir e todo o mundo sair feliz.
Não está a misturar teatro e showbiz?
É um pouco isso, aproveitar essas valências para bem do próprio teatro. De outra forma, vão continuar a acreditar que teatro é apenas para o povo. É importante mostrar que, quando bem feito, é possível chegar longe. Olha que essa peça foi uma das que mais patrocínio teve. E a verdade é que a imagem dessas figuras atrai patrocinadores. São nomes que são marcas. O público de hoje é muito imediatista. Não culpo a Comunicação Social por não fazer mais. Claro que os Ministérios da Cultura e da Comunicação Social poderiam conjugar esforços e criar formas de dar espaço a estes grupos de menos visibilidade. É possível.
E o "Em Cena”, não funciona?
Eu sofro tanto quando vejo o "Em Cena”. Não quero que as pessoas continuem a acreditar que o teatro é aquilo. Acreditar que o teatro é gritaria, e de paupérrima qualidade. É possível uma cenografia com qualidade. Eu não culpo ninguém, porque não há verbas. Antigamente, o ministro Boaventura Cardoso fazia algo interessante. Quando acabasse o Carnaval, ele pegava todo o tecido e indumentária que sobrava e distribuía aos grupos de teatro. O teatro precisa ter qualidade. Será que o Ministério de tutela e a própria direcção da TPA não estão a ver que aquilo está mal? É só mesmo para passar tempo? Não podemos só fazer por fazer.
"Guia Básico para Iniciantes de Teatro”
Faz 25 anos de carreira, lançando "Guia Básico para Iniciantes de Teatro”. Como surge o livro?
Fiz 25 anos de carreira no ano passado. Eu costumo dizer que esse livro devia ser intitulado "Covid”. Porque estamos sempre a adiar por causa da pandemia. Eu poderia muito bem comemorar com uma peça, mas o livro vem a calhar. Porque faz alguns anos que temos figuras públicas nas artes cénicas e penso que o teatro não é apenas memorizar e subir em palco. Eu falava sempre com a Isilda e com o Valdano que essas figuras não podem chegar aqui e achar que a nossa arte é apenas isso. É importante que quem queira actuar saiba que teatro é técnica, que deve ser respeitado. Primeiro, pensei em fazer um fascículo com orientações para aquelas pessoas que não entendem nada de teatro. Foi para dar aos actores convidados para estudarem. Foi durante a quarentena que a ideia do livro surgiu e foi remetida a uma editora brasileira, que aceitou o desafio. Assim, temos o "Guia Básico para Iniciantes de Teatro”, que estava previsto para ser lançado no dia 30 de Maio, mas foi adiado por causa da pandemia. Será lançado brevemente.
Não pensa, dado que concilia jornalismo e teatro, vir a desenvolver uma coluna num jornal?
Seria maravilhoso. Embora tenhamos muitos problemas nessa parte. Quando se critica o trabalho de alguém, a obra como tal, e simplesmente a obra, as pessoas tomam pelo lado pessoal e desatam em discussões pessoais. É um problema nosso. Por isso, prefiro não falar. Assumir uma coluna num jornal seria muito interessante, ver espectáculos e poder tecer opinião oportunamente.  
Quando foi que assistiu ao seu último espectáculo e com que impressão ficou?
A última vez que vi foi um espectáculo de dança na Casa das Artes, da companhia Palasa Dance. Adorei. É um grupo maravilhoso. Vi paixão e técnica no que eles estavam a desenvolver em palco. Deixou-me estupefacta. Respeite-os ainda mais pelo facto de saber que é uma companhia com carácter formativo na área da dança.   






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