Política

Várias individualidades renderam homenagem a Raul Danda em Luanda

Adelina Inácio

Jornalista

Titulares dos órgãos de soberania, deputados, membros do Executivo, militares, autoridades tradicionais e representantes de organizações da sociedade civil renderam, ontem, em Luanda, homenagem ao deputado Raul Danda, falecido, sábado, vítima de doença, e vai ser sepultado, hoje, em Cabinda, terra natal.

14/05/2021  Última atualização 07H00
© Fotografia por: Maria Augusta | Edições Novembro
O presidente da Assembleia Nacional considerou  o deputado Raul Danda "um digno filho de Angola que cumpriu sempre com zelo e dedicação o mandato que lhe foi conferido pelo povo”.Na mensagem, escrita no livro de condolências, Fernando da Piedade Dias dos Santos qualificou Raul Danda como "um combatente da paz e reconciliação nacional, que, infelizmente, nos deixa numa altura em que ainda tinha muito para dar ao nosso país”.O líder do Parlamento angolano reconheceu que o deputado soube respeitar a diferença e contribuiu para a unidade nacional, defendendo as convicções políticas e partidárias com respeito, determinação e equilíbrio.

O director do Gabinete de Acção Psicológica e Informação do Presidente da República, Norberto Garcia, lembrou o tempo em que foi colega de Raul Danda no espaço "Revista de Imprensa” da TV Zimbo. Apesar do "mau momento vivido” na última vez em que estiveram juntos frente a frente, Norberto Garcia garantiu que nunca andaram de costas viradas. "Perdemos, verdadeiramente, um lutador pela actividade democrática no país”, concluiu. 

O presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, partido que Raul Danda representava, disse que o falecido "era um político de convicções profundas e solidário”, que tinha ainda muito para dar à sociedade. Liberty Chiyaka admitiu que a capacidade de intervenção política fica reduzida com o passamento de Raul Danda."A morte do deputado Raul Danda apanhou todo o mundo de surpresa. Ele não foi apenas um deputado, mas um mentor de outros deputados”, disse o líder da bancada da UNITA, para quem Danda foi daqueles políticos que "sempre se doou para apoiar os outros”.
Revelação de Chivukuvuku

Para o político Abel Chivukuvuku, Angola perdeu um cidadão comprometido com as causas do país e a UNITA um grande militante. "Eu perdi um amigo, para quem tinha uma espécie de dívida moral”, afirmou, revelando que foi ele quem, em 1982 ou 1983, foi buscar Raul Danda e outros jovens de Cabinda, em Kinshasa, mobilizando-os para a  causa da UNITA."Foi assim que Raul Danda entrou na UNITA e tornou-se parte da causa. Tenho uma dívida com Raul Danda, porque fui eu que o meti na vida política quando ele ainda era um jovem estudante, em Kinshasa. É por isso que sinto a dor de ter perdido alguém que, de qualquer das formas, foi produto do meu trabalho”, disse.

A governadora de Luanda, Joana Lina, considerou a morte de Raul Danda uma perda irreparável para a família, para a UNITA, para a Assembleia Nacional e para o país, tendo em conta que "sempre foi um pessoa muito interventiva e de convicções muito fortes”. Joana Lina disse mais: "Raul Danda sabia estar na política e, por isso, vai fazer muita falta ao Parlamento”.A vice-presidente do MPLA disse que Raul Danda foi um deputado interventivo que se notabilizou como um grande defensor da cultura do país e da língua Ibinda. "Recorria sempre aos provérbios ibinda para dar força às intervenções”, lembrou Luísa Damião, salientando que o país perdeu um político que muito tinha ainda para dar à Assembleia Nacional."As suas intervenções no Parlamento eram de uma pessoa com fortes convicções e era, também, defensor da cultura de Angola, particularmente da província de Cabinda”, disse.

Para o ex-provedor de Justiça Paulo Tjiplica, Raul Danda partiu muito cedo, mas "combateu um bom combate”. Considerou que o deputado "não vai ser enterrado, porque vamos plantar mais Raús Dandas”.Pedro Sebastião, ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, considerou a morte de Raul Danda "uma perda irreparável”. Disse que tinha uma relação profunda com o deputado, tendo lembrado que partilhou vários momentos com o finado. "Além da amizade, partilhamos laços familiares, a partir de Cabinda”, explicou Pedro Sebastião, sublinhando que a morte de Raul Danda "toca-nos a todos”.

A ministra de Estado para Área Social manifestou solidariedade à família, lembrando que trabalhou com Raul Danda na Comissão dos Direitos Humanos, Petições e Reclamações dos Cidadãos na Assembleia Nacional.Na altura, lembrou Carolina Cerqueira, Raul Danda tinha a função de vice-presidente da Comissão. "Sempre tivemos uma convivência sã. Apesar das divergências políticas, sempre trabalhamos a bem do povo e da Nação”, lembrou.Lucas Ngonda, da FNLA, disse que Raul Danda foi uma das personalidades que deu o melhor de si para o engrandecimento de Angola e instituição da Democracia. "Foi um homem de muitas lutas e muitas frentes é um grande filho que o país, a UNITA e o Parlamento perdem”, disse.

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