Economia

Vendas dos concessionários retrocedem em 25 por cento

Os concessionários venderam 1.927 veículos novos de Janeiro a Outubro deste ano, uma queda homóloga de 25 por cento depois da venda de 2.623 automóveis no mesmo período do ano passado, de acordo com números fornecidos ontem, ao Jornal de Angola, pela Associação dos Concessionários de Equipamentos de Transporte Rodoviário e Outros (Acetro).

22/11/2020  Última atualização 13H55
Mercado sofreu perdas superiores a 55 por cento nos anos que se seguiram à crise de 2014 © Fotografia por: DR
Com vendas totais em 2019 situadas em 3.070 veículos, o mercado automóvel acentua a contracção este ano, quando se espera a negociação de 2.259 automóveis, indicam dados produzidos pela Acetro no fim do primeiro semestre.
Depois de um pico de vendas registado em 2014, com a transacção de 44.536 veículos, as operações do mercado automóvel caíram 53,8 por cento em 2015, para 20.584 unidades, e 55,4 por cento no ano seguinte, com as transacções a recuarem para 9.178 veículos.

A retracção prosseguiu em 2017, quando as vendas caíram 53,2 por cento, para 4.298 unidades, bem como em 2018, um ano em que  retrocederam 26,8 por cento, para 3.146 veículos, embora em 2019, quando foram negociadas 3.073 unidades, as perdas  tenham sido de apenas 2,3 por cento.       

Os dados fornecidos ontem indicam que o mercado foi liderado, entre Janeiro e Outubro, pela Toyota de Angola, que negociou 411 veículos, obtendo uma quota de mercado de 20,89 por cento, seguida pela Asperbras que, com os seus camiões Volkswagen, atingiu 251 vendas e 12,76 por cento do mercado, bem como pela TDA e os veículos Renault, com 152 vendas e 7,73 por cento do mercado.

A Toyota de Angola também lidera o comércio na categoria de ligeiros de passageiros, com a venda de 226 unidades e uma quota de mercado de 21,14 por cento, antes da TDA com 152 vendas e 14,22 por cento de quota, e pela Angolauto e os automóveis Suzuki, com 135 unidades negociadas e 12,63 por cento do mercado.

Em ligeiros comerciais, a Toyota de Angola volta a liderar com 171 unidades e 36,85 por cento de quota de mercado, tendo na segunda posição a TDA e os veículos Nissan, com 104 negócios e 22,41 por cento de quota, assim como a Autostar e os veículos Fiat, com 46 vendas e 9,91 por cento de quota.

A Asperbras lidera, com camiões e autocarros Volkswagen, a categoria de pesados comerciais com 39 unidades vendidas e 33,05 por cento de quota de mercado, estando a seguir a Auto Sueco com 19 veículos Volvo vendidos e 16,10 por cento do mercado, bem como a Toyota de Angola, com a venda de 15 unidades do modelo Hino e 12,71 por cento de quota.

A categoria de pesados de passageiros é liderada pela Asperbras (com 212 vendas e 67,09 por cento do mercado), a Auto Sueco (71 unidades e 22,47 por cento) e a Toyota de Angola (14 unidades e 4,43 por cento).
Os dados da Acetro indicam que, a manter-se a tendência observada nos primeiros dez meses, as vendas não rivalizam, este ano, às de 2019, quando foram negociados 3.073 veículos novos.


 Corte do tempo de uso para carros importados

Os números divulgados nesta matéria foram solicitados pelo Jornal de Angola à Acetro, em véspera do fim, a 30 de Novembro, do prazo concedido por um Decreto Presidencial para a conclusão das operações de importação de veículos ligeiros com mais de cinco anos de uso e pesados com mais de oito, que já estavam em curso na altura da publicação do diploma.

O Decreto Presidencial 155/20, em vigor desde 1 de Junho, corta a idade de uso de veículos para importação de seis para cinco, no caso dos ligeiros, e de dez para oito, no caso dos pesados.
"A importação de usados com menos anos de uso permite que o país tenha em circulação activos com melhor qualidade e menos custos de manutenção e peças”, considerou o presidente da Acetro, Nuno Borges, em declarações à nossa reportagem.

Na mais relevante evolução, o decreto limita a dois por ano a importação de veículos usados  por singulares, bem como a um número que corresponda às necessidades para as pessoas colectivas, neste último caso, com a condicionante da apresentação de uma declaração de uma empresa licenciada a operar no mercado automóvel,  responsabilizando-se pela manutenção. O documento proíbe a importação de carros de marca e modelo não aprovados ou  descontinuados pelo regulador, ou que "atentem contra a moral, pudor, usos e costumes”, sujeitando a entrada de veículos à autorização do regulador.

Embora os números não confirmem que a medida possa beneficiar as vendas de veículos novos, o facto de o prazo da conclusão das importações de usados com mais de cinco e oito anos só terminar no último dia do mês, leva Nuno Borges a considerar que "ainda é cedo” para avaliar o impacto.     

Cristóvão Neto

Jornalista

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo

Opinião

Política