Reportagem

Viagem Namibe/Benguela fica mais curta

A viagem começa cedo, mas só depois de garantidas as devidas medidas de precaução. A informação que move a nossa equipa a se “aventurar” numa via que quase todos os automobilistas fogem é claramente aliciante: menos tempo de estrada entre Namibe e Benguela. Há quem diga que já se pode almoçar na capital duma província e jantar na outra.

13/12/2020  Última atualização 15H05
Estrada Namibe/Benguela troço Lucira/Dombe Grande © Fotografia por: Edições Novembro
A certeza é dada pelo empreiteiro, a construtora Planasul Engenharia e Construção Lda., que desde Junho deste ano arregaçou as mangas a fim de concluir este importante troço para o litoral do país.

Segundo o director da obra, Idrisse Hibraim, com os trabalhos feitos até agora entre a Lucira e o rio Equimina, a viagem ficou mais curta, passando de quatro horas e meia para duas horas e quarenta minutos. Não fosse a paragem feita no período de estado de emergência imposto pela pandemia da Covid-19, o grau de execução poderia ser maior, já que o prazo para a conclusão da obra é de 24 meses.

"Se tudo correr bem, isto é, se não nos faltar ‘oxigénio’, até Março de 2021, o tempo poderá reduzir para uma hora e meia”, disse o representante do empreiteiro, referindo-se à disponibilização de verbas por parte do dono da obra, o Executivo angolano. Os trabalhos estão orçados em 36.943.276.395 kwanzas.

Viagem agridoce

De Moçâmedes até à comuna da Lucira são cerca de 206 quilómetros. Um trajecto que se faz em duas horas e meia ou pouco mais, se tiver tempo para fazer fotografias e apreciar as montanhas áridas que contrastam com as belas praias e os vales verdejantes do Bentiaba, Namangando e Carojamba, onde se cultivam grandes quantidades de tomate, milho, banana, mandioca e outras hortícolas.
Um breve desvio até ao interior da vila da Lucira permite abastecer-se de bens indispensáveis, como água ou refrigerantes, pão e outros alimentos, para consumir durante o resto da estrada que se adivinha mais complicada, já que é a partir daí que termina o asfalto tal como se conhece e começa a picada que durante todos esses anos desencorajava comerciantes dos sectores das pescas e da agricultura, entre outros automobilistas, a apostar nessa via.

 O "calcanhar de Aquiles” está precisamente nos 100 quilómetros que ligam a comuna da Lucira ao rio Equimina, já perto da sede municipal do Dombe Grande, em Benguela. É aqui onde estão concentrados todos os esforços do empreiteiro. No início deste troço, foi feita uma intervenção que deixa boquiaberto quem, há uns meses, passou por lá: a chamada Serrinha, uma cadeia de montanhas rochosas, foi "desmontada” com recurso a centenas de toneladas de explosivos, facilitando em grande medida o percurso.

Logo a seguir a Serrinha, começam a surgir os primeiros sinais do que será o novo asfalto. Mais de 12 quilómetros de impregnação e seis de aplicação de tapete betuminoso, com cinco centímetros de espessura, levam os motoristas a respirar de alívio e acreditar em tempos melhores. Perto dali, está instalado um centro de produção de brita e o estaleiro utilizado pelo empreiteiro.

Vários sinais de trânsito foram colocados provisoriamente em determinados pontos, ora impondo limites de velocidade, ora alertando a aproximação de desvios que, se não observados, podem causar danos avultados às viaturas e perigar a vida dos que viajam. A nossa reportagem testemunhou isso mesmo num desses pontos, onde uma carrinha que transportava várias caixas de tomate acabou imobilizada entre as rochas após ter excedido a velocidade e perdido o controle, não obedecendo os sinais de alerta. Por sorte, não houve vítimas humanas, mas os danos à viatura e à mercadoria são notáveis.

Ao longo da via homens e máquinas são avistados em alguns locais a realizar trabalhos de desmatação, limpeza, terraplanagem e execução de passagens hidráulicas. São, no total, dois trabalhadores expatriados e 124 nacionais, a maioria dos quais contratados localmente (Moçâmedes e Lucira), outros provenientes de províncias vizinhas.

Os últimos 35 quilómetros do troço Lucira/Equimina são o verdadeiro tira-teimas do momento para quem se aventure nessa deslocação entre Namibe e Benguela. Os trabalhos ainda não chegaram à conhecida zona do Cimo, o ponto mais alto da região em relação ao nível do mar. Aqui, a via apresenta-se intransponível para viaturas ligeiras ou até mesmo para camiões e viaturas todo-terreno que não estejam com a manutenção em dia. O "martírio” dura cerca de hora e meia, até alcançar o asfalto, na Equimina, cerca de 60 quilómetros do Dombe Grande.

Trabalhos até à Estrada Nacional 280


Os trabalhos para a conclusão da Estrada Nacional número 100 no troço rio Equimina/desvio da Lucira incluem a construção de 16 pontes ao longo dos 100 quilómetros. Grande parte das mesmas está já em execução, dando alento aos automobilistas. O ministro Manuel Tavares de Almeida considerou, em Moçâmedes, que o referido troço é de grande importância, por reduzir substancialmente a distância entre Namibe e Benguela, uma viagem que hoje é feita preferencialmente através da cidade do Lubango, percorrendo mais 300 quilómetros.

"Com a conclusão desta obra vai-se desenvolver a região da Lucira, que tem um grande potencial agrícola e pesqueiro”, disse.
Entretanto, a empreitada consignada a Planasul prevê igualmente a reabilitação do troço que vai da comuna do Bentiaba até ao desvio da Estrada Nacional número 280 que liga as províncias do Namibe e Huíla, com 160 quilómetros de extensão. Na sua visita de trabalho ao Namibe, o ministro das Obras Públicas e Ordenamento do Território realçou também a necessidade de se dar maior dinamismo à reabilitação deste troço, no âmbito do plano de salvação das estradas, visando encontrar soluções técnicas para protecção das encostas da Serra da Leba. "Os trabalhos estão em curso, mas precisamos de dar maior dinamismo para garantir mais segurança e conforto aos utentes desta via”, referiu.

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