Cultura

Yuri da Cunha canta Teta Lando

Os maiores êxitos do malogrado músico Teta Lando vão ser interpretados, em quatro espectáculos, cujos dois primeiros acontecem já esta sexta-feira e sábado, às 20h00, no Royal Plaza, em Luanda, por Yuri da Cunha.

06/04/2021  Última atualização 07H23
Músico pretende continuar os trabalhos de artistas que marcaram uma geração de forma a perpetuar o seu legado © Fotografia por: DR
Os espectáculos, que voltam a ser exibidos nos dias 17, a partir das 15h00, no Royal Plaza, com transmissão em directo pela TV Zimbo, e 18, no mesmo horário, mas no Luanda Beach Club, foram concebidos como forma de homenagear um dos ícones da música angolana.
Yuri da Cunha disse, durante uma conferência de imprensa, realizada no Royal Plaza, para anunciar e detalhar os espectáculos, que considera uma honra interpretar temas de Teta Lando, músico de quem tem muita admiração.

"Teta Lando tem temas únicos, cujas letras enalteciam a paz e a inclusão social entre os angolanos”, reforçou, além de explicar que vai fazer chegar as organizações de gestão de direitos de autor, como a Sociedade Angolana de Direitos de Autor (SADIA), União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) e ao Ministério da Cultura, o alinhamento musical.

"A obra de Teta Lando valorizada por muitos, também deve ser paga”, referenciou o cantor, que já tem interpretado alguns temas do malogrado em alguns concertos, dos quais já tem prontos para este especial "Irmão ame o seu irmão”, "Menina de Angola”, "Negra de Carapinha dura”, "Cecília”, "Angolano Segue em Frente”, "Vou Voltar, "Independência”, "14 chuvas”, "Kimbemba”, "Um assobio meu” e Tia Chica”.

O cantor, que já prestou um tributo ao músico Artur Nunes, com o lançamento de um CD, com temas do malogrado, considerou um momento ímpar na carreira voltar a interpretar canções de um ícone como Teta Lando

Com este projecto, disse, pretende ajudar na recuperação de alguns temas clássicos da música angolana e deixar um legado às gerações vindouras. Com Paulo Flores na direcção artística, o espectáculo conta com uma banda de músicos experientes e jovens, para ele os melhores da sua geração, com Mayo (baixo), Texas (solo), Gildo Umba (baterista), Miqueias Ramiro (teclados), Chalana Dantas e Yasmane Santos (percussionistas), Carla Moreno, Bevy Jackson e Aninhas (coro) e o guitarrista brasileiro Ximinha.

O porta-voz do projecto, Mito Gaspar, descreveu, no acto, Teta Lando como um artista de referência, com quem tinha afinidade pessoal, enquanto compadre. Além disso, destacou a forma do artista ter se dado à música. "Não podemos permitir que sejamos esquecidos”, disse o cantor hoje mais ligado ao empreendedorismo que a música.

Mito Gaspar, que teve a honra de abrir o concerto de regresso de Teta Lando, no Fenacult de 1987, enalteceu, ainda, o lado batalhador do músico, que forçado ao exílio teve de fazer táxi para sobreviver e vender outras coisas até conseguir erguer a própria editora, para lançar outros artistas, como o Trio Camama.


Histórico

Natural de Mbanza Congo, Teta Lando foi premiado a título póstumo com o Premio Nacional de Cultura e Artes em 2019. Nascido a 2 de Junho de 1948, morreu aos 14 de Julho de 2008, em Paris. Ao longo da carreira foi Presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores.
Com Massano Júnior fez parte do conjunto África Show, como guitarrista. Da discografia constam os CD "Tia Chica”, "Independência”, "Eu Vou Voltar”, "Semba Rytmée”, "Reunir”, "Menina de An-gola”, "Esperanças Idosas” e a colectânea "Memórias”.  O regresso ao país aconteceu, 14 anos depois, durante o Fenacult de 1987.

Analtino Santos

Jornalista

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