Economia

Bancos comerciais vendem 800 milhões de dólares/mês

Isaque Lourenço*

Os bancos comerciais angolanos venderam ao mercado nacional, de Janeiro a Julho deste ano, uma média mensal de 800 milhões de dólares.

15/08/2024  Última atualização 08H45
Banco Nacional de Angola reafirma missão de garantir estabilidade da moeda e do mercado © Fotografia por: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O somatório dos valores médios nos primeiros sete meses do ano equivale a 5,6 mil milhões de dólares (cálculo do Jornal de Angola).

Todavia, o BNA fixa como média de garantia permanente de divisas ao mercado o valor mensal de 600 milhões de dólares, dos quais 400 milhões obtidos na Plataforma FXGO da Bloomberg e outros 200 milhões fora daquele canal.

Estes dados foram apresentados pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA).

Manuel António Tiago Dias concedeu uma entrevista conjunta à Luanda Antena Comercial (LAC) e Revista Forbes África Lusófona, transmitida, ontem, pela emissora radiofónica, e que coincidiu com o "Dia do Trabalhador Bancário” angolano, 14 de Agosto.

Manuel Tiago Dias disse que o valor de 800 milhões de dólares resulta de 600 milhões captados através da plataforma Bloomberg, onde os bancos e instituições autorizadas negoceiam, e os outros 200 milhões comprados de clientes não presentes na plataforma.

"O que se nota é que o apetite pela moeda estrangeira é muito grande e os 800 milhões de dólares continuam a ser insuficientes. O mercado cambial tem estado a funcionar”, disse Manuel Tiago Dias.

Crédito ao Sector Real

Os bancos comerciais angolanos financiaram, até Julho, o sector real da economia, fundamentalmente Agricultura, Pescas e Silvicultura, com 1,2 biliões de kwanzas.

O governador explicou que o cenário actual é bastante animador, pois que, anterior à operacionalização do Aviso 10, o Sector Real da Economia era pouco financiado, mas o indicador já mostra uma inversão da tendência.

Manuel Tiago Dias assumiu que era ideal, ao olhar-se para as fontes de proveito dos bancos, que fosse o financiamento à economia (real) e não do crédito ao Governo e as vendas de divisas.

O governador disse que o Aviso 10, que determina o financiamento do Sector Real, com destaque às Pescas, Silvicultura e Agricultura, oferece uma taxa de juros bonificada de 7,00 a 10,0 por cento, sendo que os bancos comerciais deduzem o valor financiado às reservas obrigatórias à guarda do BNA.

Reservas Internacionais

Relativamente à intervenção do BNA no mercado cambial, o governador Manuel Tiago Dias disse que tal ocorre em situações excepcionais, só mesmo em caso de distorções que devem ser sanadas imediatamente. De contrário, disse, continua-se a privilegiar a política de mercado flexível, onde a procura e a oferta por cambiais determinam o preço ou a taxa de câmbio do mercado.

O "Chefe” do banco central angolano afirmou que, este ano, apenas houve uma venda de divisas de iniciativa do BNA no valor do BNA, por causa da referida necessidade de intervenção que havia sido identificada.

Naquela operação, o BNA colocou à disposição dos bancos 200 milhões de dólares dos quais 100 milhões obteve junto do Tesouro Nacional (Ministério das Finanças), que se quis financiar no mercado, e outros 100 milhões descontados das Reservas Internacionais.

Ainda sobre as Reservas Internacionais do País, garantiu estarem em níveis estáveis, uma vez que os 14,7 mil milhões de dólares registados no final do mês de Junho equivaliam a 7,4 meses de importação, acima da exigência da SADC (seis meses) e dos mercados internacionais (três meses).

"O que precisamos na economia é o equilíbrio macroeconómico”

O equilíbrio macroeconómico do mercado é a principal necessidade identificada pelo Banco Nacional de Angola (BNA).

Para o governador Manuel António Tiago Dias, o BNA mantém o foco no asseguramento da estabilização da moeda e na estabilidade do sistema.

Apesar de três reguladores no sistema financeiro, designadamente Banco Nacional de Angola, Comissão do Mercado de Capitais (CMC) e Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG) é o BNA a incumbente para coordenar o Comité de Supervisão do Sistema Financeiro.

"As medidas de política, particularmente as medidas de política monetária quando são tomadas, também, olham para a particularidade da nossa economia, mas é importante termos presentes que a economia só gasta aquilo que tem”, disse.

O facto de a economia angolana ter o petróleo como responsável de 95 por cento das exportações do País torna-a muito dependente do comportamento dos preços no mercado internacional e também da estabilização da produção interna. Face à isso, quaisquer oscilações afectam, directamente, a capacidade de gerar recursos em moeda estrangeira.

Captação de investimentos

Manuel Tiago Dias entende que os investidores estrangeiros, em relação a Angola, olharem para um conjunto de variáveis e do lado do BNA fazem-no por via das Reservas Internacionais e também para o ambiente de negócios.

Relativamente ao ambiente de negócios em Angola, o banco central liberalizou a conta de bens e grande parte da conta corrente da balança de pagamento, restando os investimentos estrangeiros em Títulos do Tesouro.

"O investidor estrangeiro quando vem fazer investimento em Angola, os recursos transitam pelos bancos comerciais sem qalquer autorização do banco central. Solicita-se apenas informação para efeito estatístico. O mesmo acontece com o repatriamento de lucros e dividendos”, afirmou.

Lista cinzenta

Em relação a um hipotético regresso à lista cinzenta do GAFI, órgão internacional que controla os fluxos ilícitos, o BNA entende que o trabalho da parte de Angola sobre financiamento ao terrorismo e proliferação de armas foi feito e resta aguardar a avaliação, mas "há muita confiança no que foi realizado”.

 

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