Coronavírus

Números diários podem esconder uma realidade “mais sombria” em São Tomé

O Presidente de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho, disse, ontem, que os casos oficiais de novas contaminações e mortes diárias por Covid-19 no país “devem esconder uma realidade bem mais sombria”.

03/03/2021  Última atualização 10H00
O Presidente de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho © Fotografia por: DR
Evaristo Carvalho, que falava na abertura da 10ª Reunião de Alto Nível de Seguimento da Resposta à Pandemia da Covid-19, lembrou que no encontro anterior, em 15 de Janeiro, convocado devido ao "aumento brusco de novos casos de contaminação ocorridos após a quadra festiva do Natal”, se adoptaram novas medidas que não surtiram efeito.
"O facto é que decorridos 45 dias, o panorama não só não melhorou, como tende a piorar a cada dia”, lamentou o Chefe de Estado.

"Chegam-me relatos, segundo os quais, muitos cidadãos com sintomas graves, por receio de eventual internamento no hospital de campanha, não contactam os centros de saúde e limitam-se a ficar em casa a beber chá e mais chás”, afirmou Evaristo Carvalho.
O Presidente são-tomense acrescentou que estes pacientes, "quando as coisas se complicam”, são "encaminhados de urgência aos centros de saúde, infelizmente tarde de mais”.

"Outros acabam por falecer em casa, não entrando, deste modo, nas estatísticas de óbito por Covid-19”, frisou.
No discurso de abertura da reunião, iniciada com hora e meia de atraso, Evaristo Carvalho considerou "insignificante” o número de testes realizados diariamente, levando "em conta a necessidade de rastreio nas comunidades”.

O Presidente são-tomense manifestou "preocupação” em relação aos anúncios diários dos números de "novas contaminações” e aos testes realizados. "A questão é: 25 casos positivos em quantos testes realizados? 25 casos positivos em 50 testes é, seguramente uma situação altamente preocupante. Significa que 50% das pessoas testadas estão contaminadas, o que constitui grande sinal de alerta”, salientou Evaristo Carvalho, instando o Ministério da Saúde a publicar, "pelo menos numa base semanal, o indicador de relevo” entre a relação dos testes positivos e realizados.

O Chefe de Estado são-tomense quer "aprofundar” o conhecimento de "aspectos de natureza técnico-científica dos testes e tratamentos sobre a Covid-19”, para, de uma vez por todas, ser elucidado "sobre as causas profundas desse persistente aumento de novas contaminações que tendem a piorar a cada dia”.

  São Tomé e Portugal discutem um novo programa estratégico

São Tomé e Príncipe e Portugal, através dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos respectivos países, deram, ontem, início à discussão do Programa Estratégico de Cooperação 2021-2025. Segundo a Lusa, as discussões estão a ser conduzidas, através de videoconferência. Segundo o embaixador de Portugal em São Tomé, Rui Carmo, ainda não há uma data para a assinatura do novo acordo, que inclui um pacote financeiro de 55 milhões de euros. Neste momento São Tomé ainda não enviou para Lisboa uma proposta concreta de programa apenas sabendo-se que ele deverá vigorar até 2026 e que o anterior envolvia uma verba de 57 milhões de euros. Um dos pontos em discussão, relaciona-se com a facilitação de vistos entre os dois países, um problema que se tem arrastado e que tem nas leis em vigor no espaço europeu as suas principais dificuldades de resolução.

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