Sociedade

Tumulto causa morte e feridos no Sequele

Um cidadão, que aparenta ter 30/35 anos, morreu, ontem, na sequência de um tumulto registado no Sequele, município de Cacuaco, arredores de Luanda.

21/10/2020  Última atualização 15H10
Efectivos da Polícia Nacional foram obrigados a intervir para repor a ondem e a tranquilidade © Fotografia por: Domingos dos Santos |Edições Novembro
Durante o tumulto, três pessoas ficaram feridas e 50 foram detidas.
Segundo testemunhas, tudo começou quando elementos da Fiscalização da Administração de Cacuaco tentavam demolir casebres erguidos ilegalmente, no Santuário dos Imbondeiros.
Em resposta, populares insurgiram-se contra os fiscais da Administração de Cacuaco e efectivos da Polícia Nacional, criaram barricadas, atearam fogo nos dois sentidos da via principal do Sequele e atacaram automobilistas e transeuntes que tentavam fazer imagens da manifestação.
A população partiu vidros de viaturas e agrediu fisicamente alguns transeuntes. "Quando tentaram partir os vidros de uma viatura Toyota Prado, um dos ocupantes baixou o vidro e fez dois disparos, que atingiram mortalmente o jovem, na cabeça", disse uma das testemunhas.
Segundo uma fonte da Polícia Nacional, os manifestantes tinha sido orientados a abondanar o local, mas recusaram, numa demosnstração de desrespeito às autoridades. "Já aconselhámos estas pessoas a abandonar este local, mas elas insistem em ficar aqui e já derrubaram até imbondeiros. São teimosos", disse.
Uma moradora, que se identificou apenas como Madalena, 60 anos, disse que possui o terreno muito antes da construção da Centralidade do Sequele. "Já temos este terreno há bastante tempo. A centralidade já nos encontrou. Se demolirem a nossa casa, não temos para onde ir. Ou ficamos aqui ou vão ter de nos matar também", disse aos prantos.
O tumulto começou quando eram 11 horas. A via principal do Sequele ficou interdita nos dois sentidos. Ninguém saía nem entrava. Depois de relativa acalmia, as duas vias foram reabertas. Alguns automobilistas e ocupantes de viaturas que tentaram fazer novas imagens foram detidos pela Polícia Nacional e viram retidos os telemóveis.
Criado numa área equivalente a 33 mil campos de futebol, o Santuário dos Imbondeiros, na zona do Sequele, em Luanda, está a sofrer uma desmatação sem precedentes, para construções anárquicas.
As ocupações anárquicas, que começaram há quatro anos, com o surgimento de casebres, dão hoje lugar a construções de cimento. Na ausência da autoridade, os próprios invasores criaram uma comissão de moradores, que hoje é responsável pela atribuição de espaços.

  Moradores do Tande recebem casas

Vinte famílias residentes em zonas de risco do Tande, localidade do Distrito Urbano do Sequele, onde se extraem grandes volumes de inertes, foram realojadas, sábado, no bairro "Luanda Limpa”, um programa habitacional social, em curso no Zango IV.
Os beneficiários são parte de um número de 100 famílias do Tande, que devem ser realojadas em zonas seguras até o final deste ano, numa iniciativa de uma comissão que enquadra os Ministérios dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, da Cultura, Turismo e Ambiente e a Administração local.
O processo resulta de negociações entre moradores, Comissão e Associação de Mineiros de Cacuaco, na sequência de denúncias que apontavam o impacto negativo da exploração de inertes sobre os habitantes do Tande.
No processo, que deve ser concluído este ano, prevê-se o realojamento de 100 famílias que construíram residências definitivas e a entrega de parcelas de terrenos, no Zango IV, a outras que têm casas precárias no Tande.
No decorrer da entrega, assistida por representantes dos Ministérios dos Recursos Naturais e Petróleos, Administração local e órgãos de Defesa e Segurança, o presidente da Associação dos Mineiros em Cacuaco, Pedro Hossy, afirmou que o processo vai abranger todas as famílias daquele perímetro, para que estejam em zonas com melhores condições de habitabilidade.

Armando Estrela

Domingos dos Santos

Jornalista

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