Opinião

O acesso dos camponeses ao crédito bancário

Editorial

Não tem sido fácil para muitos camponeses conseguir crédito junto de bancos comerciais, a julgar pelas informações que são dadas por pessoas singulares e colectivas, ligadas à produção no campo.

15/04/2021  Última atualização 08H05
A ADRA( Acção  para  o Desenvolvimento Rural e Ambiente), uma prestigiada organização não governamental, com larga experiência ao nível do sector agrícola no nosso país, tem manifestado preocupação em relação ao fraco acesso dos camponeses ao crédito bancário. Os bancos comerciais exigem, para   a concessão de crédito a camponeses,  documentos  como o título de terra, que muitos investidores agrários  não estão em  condições de  apresentar, por excessiva burocracia  nas instituições que os devem  emitir.

 Os bancos são empresas que  prosseguem a maximização do lucro,   e,  normalmente, quando concedem crédito, exigem garantias aos potenciais  devedores. Os bancos não são instituições de caridade.  As instituições financeiras bancárias  recebem dinheiro  de poupadores para depois o canalizarem para   aqueles que queiram, por exemplo,  investir em projectos produtivos,  mas sob condições  que permitam a recuperação  do capital emprestado e  dos respectivos juros. 

 É verdade que  a economia precisa também dos bancos comerciais  para  crescer, mas estes têm igualmente os seus interesses (entre os quais avulta o  lucro)  e  não vão emprestar dinheiro  se verificarem que  de um determinado negócio podem resultar   prejuízos. Os bancos querem naturalmente  ganhar  dinheiro com  o menor  risco possível  de crédito malparado. Os bancos fazem a gestão dos riscos que podem  decorrer dos negócios  que  fazem  ao nível da concessão de crédito e têm  órgãos  internos  só para  tratar  disso.   

Havendo interesse do Estado em potenciar a produção agrícola, importa criar mecanismos que facilitem o acesso dos camponeses ao crédito bancário e  que não criem problemas à  actividade dos bancos.  Queremos todos que haja   elevada e diversificada  produção agrícola no país, mas será também necessário salvaguardar  a  solidez  dos nossos bancos  comerciais.  

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